O Paradoxo Zidane

Um momento de fúria.

Um momento de desequilíbrio.

Um momento em que o profissional extraordinário dá lugar ao ser humano, falho e vulnerável.

Uma carreira brilhante, um jogo decisivo, a despedida dos campos que deveria ser coberta de glória, foi marcada para sempre por um momento de desequilíbrio.

Quando se fala de Zidane (faça o teste), imediatamente para a grande maioria das pessoas, a imagem que vem não é das jogadas incríveis, dos muitos campeonatos ganhos, das exibições impecáveis pela seleção do seu País.

A imagem que vem é a daquela cabeçada, derrubando o italiano, na final de uma Copa do Mundo.

Às vezes me dizem: “ah, mas a mesma coisa aconteceu com o Roberto Baggio, que perdeu aquele pênalti contra o Brasil”. Desculpem, mas não é a mesma coisa. Aquele pênalti assombrou sim, a carreira de Roberto Baggio, mas foi um erro técnico, um erro “trabalhando”. Todos os dias, jogadores perdem pênaltis e isso acontece muito na Copa do Mundo, em jogos de mata-mata. Marca, é doloroso, mas não devora.

Já a cabeçada do Zidane….essa deve ter lhe tirado o sono, muitas e muitas noites. Devorou parte da sua sanidade com toda a certeza.

O erro comportamental tem muito mais peso que o erro meramente técnico. E o ser humano é assim: o foco sempre estará no negativo, no erro. Muitas vezes, invalida-se toda uma carreira, em função de um único erro. Injusto, porém, comum.

Outro dia, em um processo seletivo, encontrei um “Zidane”. Carreira de destaque, prêmios, crescimento meteórico em seu segmento, profissional preparado e extremamente diferenciado. Porém, sob pressão por resultado e em um momento de desequilíbrio, ele mediu forças com o dono do negócio, bateu (literalmente) na mesa, elevou a voz, disse coisas que não deveriam ter sido ditas, e no calor da emoção, se descontrolou.

Resultado: cartão vermelho.

Ele foi aberto em me contar o ocorrido: “fique à vontade para me excluir do processo, se você achar que não tenho condições de participar”. Eu: “Você aprendeu alguma coisa com esse episódio?”. Sim, tinha aprendido. “Então, você tem condições de participar”.

No meu relatório ao cliente, o nome de Zinedine Zidane apareceu, ilustrando a “cabeçada” do profissional e a lição aprendida. E dessa vez, em vez de vestiário, o que veio foi uma segunda chance.

Não existe crescimento sem erros, embora alguns sejam mais dolorosos e notórios que outros, e o preço cobrado seja alto. O que vale é a lição tirada e aprendida e a abertura para uma segunda chance.

Uma saudação a Zinedine Zidane, um gênio da bola, que até errando, nos ajuda a sermos melhores.

Celia Spangher é Headhunter e Diretora de Gestão do Talento da Maxim Consultores

http://celiaspangher.com.br

https://www.facebook.com/spanghercelia

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: